Associação
Sul-Americana
de Terapeutas
Cartas de Cristo
Carta 1
Eu, o CRISTO, aproveito esta oportunidade para me comunicar diretamente com você. Vim para corrigir as interpretações equivocadas dos meus ensinamentos, feitos quando, conhecido como “Jesus”, estive na Palestina há dois mil anos. Estas cartas estão sendo transmitidas por meio de alguém que, nos últimos quarenta anos, tem sido espiritualmente sensível o suficiente para receber e agir conforme as minhas palavras. Essas CARTAS SÃO A VERDADE, transcendem todas as doutrinas religiosas e são para todos aqueles que buscam entender o propósito da vida, a razão de sua existência, a força para enfrentar as dificuldades e o sofrimento, e a inspiração para alcançar maior consciência espiritual no cotidiano. Essas Cartas são, na verdade, um CURSO PARA SE TORNAR MESTRE, destinado a quem está pronto para seguir o caminho que percorri quando estive na Terra. Talvez você duvide da autenticidade destas palavras, mas ao ler e refletir sobre os fatos que estou compartilhando sobre a existência e as origens da personalidade, você começará a perceber que essa verdade só poderia vir de uma fonte divina.
Para aqueles que tiverem dificuldade em compreender, aconselho ler uma página por vez, meditar sobre ela e, aos poucos, a mente absorverá o significado. Aproximem-se dessas CARTAS com uma mente aberta, como uma criança, sem crenças ou preconceitos, e eu as preencheria com o maior dos tesouros, o conhecimento mais elevado, que aliviará suas dificuldades e os conduzirá à abundância, alegria e à satisfação de todas as suas necessidades. Você experimentará o que é ser abençoado com tudo o que vai além da sua compreensão humana.
Essas CARTAS estão sendo enviadas a todos com muito amor e compaixão. Ao lê-las, você sentirá esse amor e perceberá que as lutas diárias que enfrenta não foram planejadas para você. Não é necessário experimentar dor e sofrimento se você entender, absorver e praticar a VERDADE DA EXISTÊNCIA. O objetivo dessas CARTAS é trazer iluminação ao mundo e capacitar a humanidade a construir uma NOVA CONSCIÊNCIA nos próximos dois mil anos. Elas são a semente da futura evolução espiritual da humanidade.
A evolução espiritual da “consciência humana” é o que traz a evolução mental e física, tanto pessoal quanto global, aproximando a humanidade de estados mais harmoniosos de bem-estar. Quando olho para os últimos dois mil anos, vejo que houve um progresso gradual, com a humanidade se aproximando cada vez mais do amor fraternal que preguei. Quando andei pela Terra, não havia organizações humanitárias como hoje, e a autossatisfação e ganância eram comportamentos comuns. Contudo, o amor fraternal tem crescido, criando sociedades dedicadas ao bem-estar humano, hospitais, movimentos em favor dos direitos humanos, e muitas outras iniciativas.
Esses esforços espirituais tiveram um grande impulso no século dezenove, quando minhas palavras foram pregadas com renovado fervor. A oração coletiva se espalhou pelo mundo, elevando a consciência humana para o poder divino e permitindo um crescimento espiritual, embora ainda houvesse desafios para direcionar o poder divino corretamente, sem cair no ego.
No século vinte, as habilidades mentais humanas ultrapassaram seu desenvolvimento espiritual. A ciência tentou explicar a criação apenas pela casualidade, o que levou as pessoas a abandonarem a moralidade e se concentrarem no ego, criando uma nova forma de consciência global oposta ao amor divino. Esta mentalidade egoica se espalhou pela mídia e pela sociedade, gerando violência, destruição ambiental e degradação das relações humanas. A infecção mental se manifesta de várias formas, como comportamento destrutivo, consumismo, e distúrbios na saúde, levando a um círculo vicioso.
A única forma de interromper esse ciclo é reconhecendo o conhecimento crístico e vivendo de acordo com ele. Somente o amor incondicional pode nos libertar, e essas palavras não são um castigo, mas um alerta para as consequências de seguir um caminho egocêntrico. Eu falo com amor e compaixão, descendo até os níveis mais profundos da consciência humana para alertá-lo sobre os efeitos dessa ignorância.
O vírus HIV, por exemplo, não é um castigo divino, mas uma manifestação das energias negativas geradas pela consciência humana. Quando nossos pensamentos e emoções se tornam agressivos e destrutivos, criam partículas energéticas que se transformam em doenças. Portanto, a verdadeira cura está em mudar nossa consciência, não em tratamentos superficiais. A espiritualidade é a chave para evitar essas armadilhas da vida e proteger nossa saúde.
Eu, o CRISTO, estou aqui para revelar a verdade sobre a origem da personalidade humana e como nossa consciência molda a realidade que vivemos.
Meu Lugar na História
Em primeiro lugar, é importante destacar que minha vida e minha pessoa foram brevemente mencionadas por Josefo na obra História dos Judeus, escrita para o Governador e apresentada ao Imperador Romano. Josefo registrou de forma sucinta que Jesus, que tentou subverter a ordem e o governo romano, foi punido e crucificado. Há quem diga que ele possa ter se referido a outro Jesus, mas não é esse o caso. Eu, que mais tarde me tornei o Cristo, responsável pelos milagres de cura e materialização, fui esse rebelde. Porém, não fui um “agitador”, nem incentivei as pessoas a desafiar o poder romano ou a ordem vigente. Eu fui um rebelde contra as tradições judaicas estabelecidas. Após seis semanas de jejum no deserto, encontrei uma maneira diferente de pensar e viver, tentando compartilhar esse conhecimento com meus irmãos judeus, com pouco sucesso.
É crucial entender que meus seguidores estavam sob uma grande pressão social. Embora acreditassem que eu estava trazendo uma mensagem para “salvar a alma” dos judeus e que eu era o Messias, o “Filho de Deus”, também estavam envolvidos com o mundo ao seu redor e tentavam se relacionar com ele da melhor forma possível. Mesmo cientes de que eu questionava as crenças judaicas, eles não queriam abandonar totalmente o Velho Testamento, que havia unido e sustentado os judeus por tanto tempo. Assim, suprimiram aspectos da minha vida e ensino que não se alinhavam com o que consideravam valioso para o povo.
Meus discípulos, junto com Paulo, construíram suas próprias crenças em torno de minha figura, preservando apenas o que achavam útil para as pessoas da época e para as gerações futuras. Filtraram o que podiam utilizar e deixaram de lado a maior parte do que eu chamava de “Segredos do Reino de Deus”, pois não conseguiam entender ou viam como algo desnecessário para moldar uma nova visão do “Divino” – o “Pai”. Para manter a tradição judaica de que os pecados eram perdoados através de sacrifícios no Templo, a figura de Jesus foi transformada no “sacrifício supremo” que pagaria pelos pecados da humanidade com sua crucificação. Essa crença teve vários propósitos no momento. Ela conferiu um sentido heroico à minha morte na cruz, mostrando que eu era o “Filho de Deus” e havia cumprido uma missão específica até o fim. Além disso, essa crença se tornou uma fonte de consolo para os judeus após a destruição do Templo pelos romanos, e levou a muitas conversões.
Em uma época em que muitas pessoas não acreditavam na vida após a morte, a ideia de que eu havia superado a morte e conservado meu corpo trouxe grande consolo. Para muitas ideologias, a vida sem um corpo era incompreensível. A ressurreição do corpo passou a ser vista como a única forma de vida após a morte. Essa crença manteve meu nome vivo na memória das pessoas. Eu era a figura histórica que havia morrido para libertar os homens do medo do inferno e da condenação. A partir do momento que acreditassem em mim, poderiam viver como “homens libertos”. Foi justamente porque meu nome foi preservado ao longo dos séculos que hoje posso chegar até você para oferecer a Verdade que tanto desejei compartilhar há dois mil anos.
Minha Juventude e as Experiências no Deserto
Eu nasci na Palestina. Minha mãe acreditava firmemente que eu era o Messias. Ao contrário do que muitos pensam, eu não fui uma criança santa. Aos 12 anos, fui levado ao Templo para ser avaliado pelos Sumos Sacerdotes, que decidiram que eu não estava pronto para o treinamento religioso judaico. Fui rejeitado por minha teimosia.
Decepcionada, minha mãe me levou de volta para casa e tentou me criar de acordo com os preceitos de santidade que sempre seguiu. No entanto, isso era uma tarefa impossível, pois eu era, acima de tudo, um individualista com comportamento indisciplinado. Minha rebeldia contra as tradições judaicas e o comportamento rígido da minha mãe me tornaram impossível de controlar. Eu me recusava a seguir as tradições e preferia rir das atitudes hipócritas. Neguei a ideia de aprender um ofício que me aprisionasse a uma rotina e me envolvi com pessoas das classes mais desfavorecidas, socializando com todos, até mesmo com prostitutas, buscando sempre prazer e diversão. Quando precisava de dinheiro, trabalhava nos vinhedos por um ou dois dias para garantir o suficiente para meu sustento.
Apesar de todas as minhas falhas e comportamentos irresponsáveis, havia em mim uma preocupação profunda pelas pessoas. Eu me comovia com a miséria, a doença e a pobreza que via ao meu redor. Era um defensor apaixonado dos desamparados e vivi próximo ao povo, ouvindo suas aflições e oferecendo minha compreensão e compaixão.
Essa indignação contra a miséria, a doença e a pobreza que eu via ao meu redor foi o que mais me impulsionou a me tornar o Cristo. Isso me enfurecia e me levava a questionar a brutalidade com que os líderes judeus sobrecarregavam o povo com leis desnecessárias e punições. Declarava para todos que aqueles pobres já sofriam o suficiente e não precisavam de mais restrições. Para mim, a vida deveria ser vivida em busca da felicidade, não do sofrimento.
A tradição judaica, com sua visão de um Deus severo e punitivo, me revoltava. Eu não conseguia acreditar em um Deus que condenava as pessoas ao sofrimento eterno por não cumprirem os mandamentos. Para mim, essa ideia de um Deus cruel era ilógica. Neguei essa visão de Deus e busquei algo mais, algo que fosse verdadeiro e justo.
Foi nesse período de busca interior, ao me afastar das tradições, que comecei a sentir uma nova força dentro de mim. Aos vinte e cinco anos, passei a questionar mais profundamente a natureza da criação e da divindade. Percebi o quanto minha natureza rebelde havia prejudicado minha relação com minha mãe e outras pessoas. Embora ainda tivesse compaixão pelos sofredores, senti que minhas ações egoístas precisavam mudar. Foi quando ouvi falar de João Batista e de seu trabalho com os judeus. Decidi então ir até ele para ser batizado e iniciar uma nova fase em minha vida.
Meu Batismo
Quando entrei nas águas do Rio Jordão para ser batizado por João, eu esperava apenas sentir alívio e a sensação de ter dado um passo positivo em direção a uma reforma do meu comportamento. Eu queria surpreender minha mãe e vizinhos com uma nova atitude de bondade e respeito.
No entanto, o que aconteceu foi algo muito além do que eu poderia imaginar. Ao ser batizado, senti uma onda de energia incrível tomar meu corpo, algo que me deixou totalmente surpreso. Ao sair da água, senti minha consciência se elevar de maneira extraordinária. Uma felicidade intensa tomou conta de mim, levando-me a um estado de êxtase. Estava consciente de uma grande Luz e, em estado de transe, comecei a caminhar sem saber exatamente para onde estava indo, entrando, sem perceber, no deserto.
Minhas Seis Semanas no Deserto
As seis semanas que passei no deserto foram um período de purificação profunda. Minhas crenças, atitudes e preconceitos antigos se dissolveram, e cheguei a um ponto em que senti a necessidade de compartilhar tudo o que havia aprendido, visto e compreendido com aqueles que estivessem dispostos a ouvir.
Era impossível separar a “Vida” da “Consciência”. Elas eram uma só, com a Consciência sendo a própria Vida e o “Poder Criativo” que as sustentava, uma Mente Universal Divina que transcende, permeia e guia todo o universo. Percebi que as pessoas valorizavam muito a individualidade e a forma, e não conseguiam conceber uma mente ou inteligência funcionando de maneira eficaz sem uma forma individual. Por isso, os judeus criaram a ideia de um ser supremo, refletindo os aspectos positivos e negativos da humanidade, permitindo que os profetas falassem sobre a ira divina, punições e desastres como resposta à desobediência. No entanto, percebi que essas imagens mentais eram apenas mitos, sem existência real.
Compreendi que, em qualquer nível da existência, o que realmente importava era a MENTE – a inteligência manifesta – como o fator central na criação e no ser humano. Reescrevendo o Gênesis, seria mais preciso dizer que, antes da criação, existia a MENTE UNIVERSAL – o Poder Criativo que opera dentro e além da criação. Ao entender isso, fui impulsionado a observar meu redor e vi apenas pedras e cascalhos. Mas então, como uma visão, apareceu uma bela paisagem com plantas, árvores, aves e animais. Ao observar isso, percebi que cada planta, árvore, pássaro e animal era formado por inúmeras comunidades de pequenas entidades – células – trabalhando juntas em perfeita harmonia para criar os sistemas e órgãos internos e a aparência externa de todos os seres vivos.
Fiquei maravilhado com essa atividade infinita e silenciosa, pois tudo parecia ser fruto de um trabalho coletivo, uma inteligência em ação. O TRABALHO era essencial para o Poder Criativo, desde a menor célula até o ser humano. Cada ser vivo seguia os planos do Poder Criativo Divino, cujas intenções eram expressas por meio de “formas de consciência”, ou PALAVRAS, cada uma representando um tipo específico de consciência. Essas PALAVRAS eram manifestações contínuas na MENTE CRIATIVA DIVINA. Percebi então que tudo no universo existia, se movia e se manifestava no Poder Criativo da MENTE UNIVERSAL, uma força infinita e eterna que era a única realidade verdadeira, por trás de todas as formas individualizadas.
Fiquei profundamente grato e admirado, pois vi que tudo no mundo vinha deste Poder Criativo Divino. A inteligência por trás da criação era evidente em todos os detalhes, desde os minúsculos processos no corpo humano até a beleza da natureza. O Poder Criativo operava de maneira inteligente e perfeitamente coordenada, criando e mantendo a vida de forma harmoniosa e protegendo cada ser vivo com cuidados impressionantes. Vi como a natureza se expressava através de características como o crescimento, nutrição, cura, proteção e satisfação das necessidades, todas movidas pelo AMOR, que estava no centro de todo o processo criativo.
Foi nesse momento que compreendi que o AMOR é a força que dirige o trabalho do Poder Criativo Universal, o qual trabalha em, por meio e para nós. O trabalho do Poder Criativo é sempre impulsionado pelo AMOR. Essa revelação encheu-me de uma alegria profunda, pois finalmente entendi que todo o universo, desde os menores detalhes até as grandes criações, é guiado por uma inteligência amorosa e criativa que expressa a verdadeira natureza do ser. A partir dessa percepção, compreendi que o impulso divino por trás de toda essa atividade inteligente e determinada no corpo humano é a mesma força que inspira a colaboração humana para alcançar objetivos coletivos, extraindo inteligência e propósito do Poder Criativo Universal.
Como pode o homem ser tão pecador? E por que as pessoas sofrem com doenças, pobreza e miséria? Perguntei ao amoroso “Pai” Criador, pois estava sobrecarregado pela dor das vidas tão miseráveis. Então, fui mostrado a verdadeira realidade da existência terrena de todos os seres vivos. Senti uma grande emoção, pois finalmente entenderia como um “Poder Criativo” divino permitiria que Sua criação suportasse tanta miséria. Foi-me mostrado que todos os seres vivos deveriam ser saudáveis, protegidos, nutridos, curados, vivendo em paz e abundância, com prosperidade e amor entre todos. No entanto, durante a criação, dois IMPULSOS BÁSICOS surgiram, que garantiam a individualidade dos seres e controlavam a consciência humana. Esses impulsos foram detalhadamente explicados para mim, mas esse conhecimento será transmitido em uma carta futura, quando você estiver preparado para entendê-lo.
Recebi a visão de um recém-nascido, que era pura “luz”, um ser vindo do “Poder Criativo”. À medida que esse ser crescia, a luz foi enfraquecendo até ser completamente encoberta por correntes e amarras densas. Questionei o significado dessa visão e logo compreendi que, do nascimento à morte, as pessoas acreditam que seus cinco sentidos – visão, audição, tato, olfato e paladar – traduzem corretamente sua própria “realidade” e a do universo ao seu redor. Como essas pessoas extraem seu poder diretamente do “Poder Criativo”, tudo o que acontece com elas é resultado de suas crenças. Cada corrente representa os pensamentos habituais, respostas, preconceitos, ódios, ansiedades e tristezas que amarram a pessoa e apagam a luz interior proveniente do “Poder Criativo”.
A pessoa entra na escuridão sem perceber, acreditando que está amadurecendo e progredindo nos caminhos do mundo, que ela entende como sendo o caminho para o “sucesso”. No entanto, quanto mais ela se acostuma com esses caminhos, mais ela se aprisiona, ficando sob o controle dos IMPULSOS gêmeos de “Ligação-Rejeição”. Cada corrente é forjada por desejos egoístas e enganadores: ganância, agressão, violência. Essas correntes pesam sobre a pessoa, sobrecarregando sua psique, que é o “poder da consciência criativa”. As correntes a apertam mais a cada ano até que ela perceba o que está fazendo a si mesma, se arrependa sinceramente e repare os danos causados aos outros.
Com isso, compreendi que o homem nasce com todo o potencial para construir uma vida plena, mas ao ceder a desejos egoístas e ódios, ele cria uma prisão de miséria da qual não pode escapar até perceber a verdade da existência. Todos os problemas de uma vida difícil estão nos próprios processos mentais do homem. Foi somente por meio das “formas de consciência” das pessoas – seus pensamentos, palavras, sentimentos e ações – que uma densa barreira se formou entre elas e a Consciência Criativa Universal, que permeia o universo em cada ser vivo.
Também fui mostrado as LEIS DA EXISTÊNCIA que regem a capacidade humana de criar novas circunstâncias, relacionamentos, sucessos ou fracassos. O que o homem acredita profundamente que é, ele se tornará. O que teme que os outros lhe façam, ele mesmo fará aos outros. O que espera que os outros façam por ele, primeiro deve fazer aos outros, criando assim um “padrão de consciência” que retornará para abençoá-lo. O que ele mais teme, como a doença, é o que atrairá para si. Tudo o que emana da mente e do coração do homem retornará para ele, de uma forma ou de outra, pois tudo gera seu igual. Pensamentos emocionais são sementes plantadas na consciência, que crescerão e gerarão frutos semelhantes. Esses são os frutos do livre-arbítrio.
Não há escapatória para o que o homem pensa, diz ou faz, pois ele cria com o poder da Consciência Criativa Divina. Aqueles que desejam o bem para si mesmos devem primeiro concedê-lo aos outros. A existência de cada um deve ser uma bênção para os demais. Quando estamos em harmonia com os outros, estamos sintonizados com o poder da Consciência Criativa Universal, sendo guiados pela natureza do “Pai”, que é crescimento, proteção, nutrição, cura e satisfação das necessidades dentro de um sistema de ordem. Ao sentir essa compreensão profunda da Realidade, meu espírito foi elevado, e meu corpo se tornou leve. Naquele momento, senti que eu era quase uma “Pessoa Divina”, experimentando a “Natureza” do “Pai Criador” dentro de mim, sentindo sua unidade e seu amor pela humanidade.
Eu sabia que deveria retornar para ensinar, curar e confortar aqueles que sofriam, libertando-os do medo de um “deus vingativo”. Queria compartilhar a verdade de que o “Reino dos Céus” – um lugar onde a doença desaparece e todas as necessidades são atendidas – está dentro de cada um. Tudo que precisavam fazer era pedir e todas as suas necessidades seriam supridas. Com alegria, eu lhes contaria que a redenção do sofrimento estava ao alcance de todos, bastando purificar a mente e o coração. Para isso, bastava compreensão e autocontrole.
No entanto, quando comecei a retornar à minha consciência humana, percebi minha fome e como meus pensamentos humanos começaram a tomar conta. Sentia que agora possuía um conhecimento muito além de qualquer outro homem, e eu estava eufórico com isso. Percebi que a mente humana poderia ser tão criativa a ponto de um pensamento ou desejo fortemente mantido se manifestar no mundo visível. Isso me levou a compreender que poderia transformar pedras em pão, já que tudo estava sujeito ao comando do “Pai Criador” através de minha mente. Mas, ao tentar fazê-lo, fui interrompido por uma sensação interna. Compreendi que se usasse o “Poder Criativo” para motivos egoístas, levantaria uma barreira entre mim e o “Pai”, e tudo o que aprendi poderia ser tirado de mim.
Por isso, pedi ao “Pai Criador” para me dar forças e me conduzir de volta à minha cidade, e a fome diminuiu. Percebi que tudo o que aprendi era real. Essa energia renovada me deu forças para sair rapidamente do deserto. Encontrei um homem simpático, bem vestido, que me ofereceu comida e me perguntou sobre minha experiência no deserto. Respondi a ele, explicando minha iluminação e os ensinamentos que havia recebido. Ele apenas sorriu e concordou com a minha explicação.
Se eu precisava de tal prova, era porque estava duvidando e provavelmente teria sucumbido a pensamentos autodestrutivos. Além disso, me foi mostrado que, em qualquer situação, eu poderia elevar meus pensamentos ao “PAI CONSCIÊNCIA CRIATIVA” e pedir por soluções para qualquer dificuldade. Quão rapidamente eu me esquecia da Verdade!
Então, rezei com sinceridade, pedindo perdão pela minha fraqueza e por ceder às minhas próprias fantasias, tentando controlar as situações. A resposta chegou com uma renovada força, me trazendo maior firmeza enquanto avançava pelo terreno acidentado. Percebi também que cobria distâncias muito mais rapidamente, como se o tempo estivesse diferente e eu estivesse em uma dimensão mais leve, onde as dificuldades humanas pareciam menos intensas. Caminhar se tornou fácil e revigorante. Fiquei radiante ao perceber que havia encontrado a chave para uma “vida mais abundante”.
Logo, minha mente começou a divagar, e lembrei do encontro com o viajante e de toda a bondade que ele havia demonstrado. No entanto, também recordei o aviso dele, e minha natureza rebelde se fez presente novamente. Acreditei que ele não sabia nada sobre meu futuro e ignorei sua orientação. “Com meu conhecimento”, pensei, “eu poderia realizar feitos que ninguém jamais imaginou”. Em vez de lutar com uma vida difícil, poderia facilmente acumular riquezas, atrair seguidores e compartilhar meus ensinamentos para aliviar as dores do mundo. Eu poderia eliminar o sofrimento.
Enquanto imaginava todos os lugares que poderia visitar e as maravilhas que poderia conquistar, senti-me flutuando sobre a terra, alcançando o pico mais alto de uma montanha e dominando tudo ao redor. Eu sentia o retorno do entusiasmo, imaginando como seria simples reunir as pessoas para compartilhar o meu conhecimento e me tornar uma figura poderosa e famosa. As pessoas me respeitariam e me veriam como o salvador da humanidade.
Mas, então, um grande choque me trouxe de volta à consciência. Tudo o que eu havia aprendido recentemente se revelou de forma clara: a única maneira de prosperar seria abandonar a minha vontade egoica e voltar ao “PAI” para que Ele me orientasse em tudo o que eu fizesse. Percebi que a criação tinha seus próprios propósitos. O processo de individualização gerava o “dar e receber” nas relações humanas. Embora essas características humanas causassem sofrimento, eram também a razão pela qual as pessoas buscavam maneiras de viver melhor e encontrar verdadeira felicidade. Entendi que os desafios da humanidade tinham um propósito dentro do grande esquema da existência.
Lembrei que o ego é o centro da minha individualidade e é ele quem cria as barreiras entre a humanidade e o “Pai”. Para viver em harmonia com o “Pai”, meu desejo egoico teria que ser superado. Assim, eu segui meu caminho, refletindo sobre como superar os impulsos humanos e me manter no fluxo da “Consciência do Pai”, que me forneceria inspiração, soluções para problemas, e todas as necessidades da minha vida diária.
Compreendi que, enquanto eu permanecesse conectado ao “Fluxo da Consciência do Pai”, nada de mal poderia acontecer, e todas as minhas necessidades seriam atendidas. Mais importante ainda, a “Consciência do Pai”, trabalhando por meio de mim, ajudaria os necessitados de cura e conforto. Era essencial que eu superasse minha resistência e me entregasse à “Vontade Maior”, que era sempre voltada para o meu bem maior.
Foi então que me surgiu a inspiração de falar com as pessoas através de parábolas, permitindo que aqueles preparados para o conhecimento pudessem compreendê-lo. Contudo, mesmo meus discípulos não conseguiram libertar-se totalmente de suas crenças limitantes para entender o verdadeiro princípio da consciência e do “Poder Criativo Divino”.
Este processo de compreensão exige paciência, meditação e oração, para que os ensinamentos sejam realmente assimilados. Para absorver esse conhecimento, é necessário se tornar como uma “criança”, livre de condicionamentos mentais e com uma fé pura, capaz de ver o mundo com novos olhos.
É hora de examinar o seu “Esquema Mental”. Você está satisfeito com ele? Lembre-se, o seu “Esquema Mental” é o que molda a sua vida, suas experiências, suas vitórias e derrotas, suas alegrias e sofrimentos. Ele determina tudo em sua realidade, desde suas crenças até suas doenças. É preciso mudar a forma como você pensa e sente para criar uma vida mais harmoniosa.
Seu esquema mental foi formado a partir de suas experiências passadas, de ideias e crenças que, em muitos casos, não são mais úteis para o seu bem-estar. Essas crenças limitantes impedem seu desenvolvimento espiritual e sua felicidade. Você tem o poder de mudar isso, se escolher examinar seu “esquema mental” e fazer as mudanças necessárias, com a ajuda do “Pai”.
