Associação
Sul-Americana
de Terapeutas
Cartas de Cristo
Carta 6
Essas Cartas trazem um conhecimento profundo que a humanidade tem buscado ao longo dos séculos, mas que não conseguiu compreender plenamente devido à limitação do conhecimento científico da época. Quando estive na Terra como “Jesus”, procurei ensinar incansavelmente a Verdade da Existência Universal, mas fui pouco compreendido.
É importante destacar que meu propósito atual não é introduzir uma nova religião, um código moral mais elevado ou um novo “Deus” para adoração. Também não estou promovendo o “pensamento positivo” na forma como geralmente é entendido, pois usá-lo para atrair desejos materiais e alcançar ambições apenas reforça a centralidade do ego.
As bênçãos que você busca, seja em sua vida ou em seu ser interior, manifestam-se naturalmente quando você compreende que o universo é, em essência, a Consciência Universal transcendendo à forma física. Esta Consciência se manifesta na matéria através das atividades do ego, mas o verdadeiro propósito espiritual é libertar-se das amarras desse ego para alcançar uma conexão pura com a Consciência Divina.
Seu destino final é reconhecer que essa Consciência Divina está sempre presente, dentro de você e em cada aspecto de sua existência cotidiana. A felicidade verdadeira e a plenitude só serão alcançadas quando você deixar de lado a individualidade do ego e buscar apenas a orientação da Consciência Divina para trilhar o caminho mais elevado e cumprir seu propósito espiritual na Terra.
Para ajudá-lo a compreender esse processo, é essencial falar sobre as origens e a função do ego. A força do ego, atualmente, domina sua sociedade, alimentando a corrupção, os conflitos e as energias de baixa frequência que geram sofrimento e caos no planeta. Essa força molda comportamentos que valorizam o materialismo, a competição e a agressão, afastando as pessoas da Realidade espiritual.
O ego nasce com você, a partir do momento da concepção. Nesse instante, ocorre uma união sublime entre os impulsos primordiais da Consciência Divina, representados simbolicamente como os princípios Pai (atividade) e Mãe (conexão). Esses impulsos criativos, que estão na base da existência, conduzem a formação do corpo físico e da personalidade, em alinhamento com o padrão genético de seus pais.
Na concepção, a Consciência Divina infunde vida ao ser em desenvolvimento, proporcionando-lhe uma alma que permanecerá como uma “centelha” de conexão com a Fonte. No entanto, junto com essa essência divina, o ego também começa a se manifestar. Ele surge para assegurar a individualidade e a sobrevivência, mas, ao longo da vida, frequentemente se torna um obstáculo à percepção da Verdade.
O ego se fortalece desde os primeiros momentos de sua existência. Quando suas necessidades são satisfeitas, ele experimenta conforto e segurança. Quando elas não são atendidas, surgem emoções como frustração, raiva ou aceitação, dependendo das tendências individuais. Esse processo molda a forma como o ego atua em sua vida.
É fundamental entender que o ego não deve ser condenado, pois ele é uma parte natural do processo criativo da vida. Contudo, para alcançar níveis mais elevados de compreensão espiritual, é necessário transcender o domínio do ego e alinhar-se com as frequências mais elevadas da Consciência Universal.
Enquanto sua alma permanece inalterada na quietude e equilíbrio da Consciência Divina, sua consciência terrena opera nas frequências mais densas da matéria. O propósito de sua jornada espiritual é elevar essas frequências, aproximando-as da perfeição do Amor Divino. Quanto mais elevada sua vibração, mais harmônicas e sublimes serão suas criações mentais e experiências de vida. Quanto mais baixa a frequência, mais desconectada estará da Perfeição Universal.
O ego pode parecer um fardo, mas ele é também uma oportunidade de aprendizado e crescimento. Ao compreender sua origem e propósito, você pode libertar-se de seu controle e experimentar a plenitude que advém da união consciente com a Consciência Divina.
Universalidade da Consciência Divina
O verdadeiro autossacrifício, quando iluminado, conduz a consciência espiritual a um estado de alegria suprema, sem qualquer sensação de perda ou carência.
Para ilustrar a relação entre a alma e o ego, visualize suas mãos unidas, com as pontas dos dedos e punhos juntos, criando um espaço em forma de concha entre elas. Suas mãos representam o “invólucro da consciência humana” — o ego. Já o espaço entre as mãos simboliza a alma, que, embora aparente ser “nada” para os sentidos físicos, é uma extensão da totalidade e perfeição da Consciência Divina, de onde tudo se origina. Esse espaço é a essência do “Eu”, a centelha divina dentro de cada ser.
Cada mão desempenha um papel. A mão direita representa o impulso magnético de atração — o desejo, a ambição, a busca por aquilo que se quer ou precisa. É a força que impulsiona a criação, a construção e a realização, desde que direcionada de forma harmoniosa e ética. Por outro lado, a mão esquerda simboliza o impulso de rejeição — a força de repelir, proteger e defender o espaço pessoal e a integridade. Quando equilibrados, esses impulsos magnéticos, que operam no nível do ego, garantem o funcionamento saudável das relações humanas e da vida em comunidade.
Porém, quando um desses impulsos se torna dominante ou descontrolado, surgem conflitos, ressentimentos e desarmonia, tanto interna quanto externa. É por isso que, em momentos de desafio, o caminho mais elevado é transcender o ego e conectar-se com a Consciência Divina. Ela é a fonte de proteção, equilíbrio e sabedoria, acessível a qualquer instante, quando invocada com fé e entrega genuína.
Enquanto suas mãos atuam, o espaço entre elas — sua alma — permanece inalterado, imóvel, apenas observando. Assim é a Consciência Divina dentro de você: sempre presente, mesmo quando o ego se ocupa em agir e reagir. Essa é a essência do “Reino dos Céus” de que falei enquanto estive na Terra. Ele está dentro de você, acessível por meio da meditação, da purificação da mente e da entrega sincera à busca espiritual.
A Consciência Universal é o estado de equilíbrio absoluto e energia autossuficiente que permeia todo o espaço, inacessível à percepção humana. Já a Consciência Divina é a manifestação ativa dessa energia, expressa por meio dos impulsos originais liberados no momento da criação. Esses impulsos — vontade, inteligência, amor e propósito — dão forma e movimento ao universo, mantendo a harmonia em todas as coisas criadas.
Enquanto a Consciência Universal é o fundamento estático e imutável de tudo, a Consciência Divina é dinâmica, viva, e acessível ao ser humano, pois é nela que se encontram as energias criativas do universo. A verdadeira compreensão dessas realidades, contudo, só pode ser alcançada pela experiência direta, por meio da elevação espiritual e da expansão da consciência.
Embora não seja apenas o desejo por mais posses que mantém a alma presa em sua morada secreta, o ego também utiliza o impulso emocional magnético de “rejeitar e repelir” como forma de assegurar sua individualidade, privacidade e segurança. Esse impulso manifesta-se de diversas maneiras, buscando transmitir uma sensação de superioridade ou exclusividade que afasta pessoas consideradas indesejáveis ou de menor posição social. Tal comportamento egocêntrico é amplamente aceito e praticado, mesmo em ambientes religiosos. Contudo, quando a alma começa a assumir algum controle sobre os impulsos do ego, ela repreende a personalidade humana pelo egoísmo e exclusividade, exigindo uma transformação baseada no amor incondicional e na percepção da unidade universal, independentemente das diferenças individuais.
Compreender como o ego molda a individualidade humana pode esclarecer por que os impulsos físicos criados pelo ego encapsulam e limitam a consciência, formando tanto o corpo físico quanto a personalidade. Ao dominar a mente e as emoções, ele impede o contato direto com a Fonte da Vida e com a própria alma. Assim, o propósito verdadeiro da vida é superar o domínio do ego, expandindo pensamentos e sentimentos em direção àquilo que está além da criação, buscando continuamente iluminação.
Esse é o primeiro passo para alcançar o momento glorioso de conexão com o Divino. Por meio de uma purificação constante dos impulsos egocêntricos, a alma pode retornar ao estado celestial de onde emergiu. Nesse processo, a individualidade nasce da separação do impulso criativo da vontade e do propósito amoroso, representados pelo Pai Inteligência e pela Mãe Amor, que, equilibrados, formam a Consciência Divina. Juntos, esses impulsos geram o ego, uma força que sustenta a individualidade e a sobrevivência, mas também cria limitações.
Embora a ciência busque explicar os processos de ligação e rejeição, ela apenas observa a criação como espectadora e não pode acessar os mecanismos mais profundos que motivam a existência. No entanto, essas explicações científicas têm pouca relevância prática para a experiência individual. O que realmente importa é aprender a transcender o impulso egoísta e protetor, permitindo que a alma se liberte para expressar a vida diretamente conectada à Consciência Divina Pai-Mãe.
O ego, com seus impulsos criativos e magnéticos, cria formas de vida carregadas de energia eletromagnética, que se manifestam como experiências, circunstâncias ou até doenças físicas. Assim, é essencial purificar a consciência, retirando as “ervas daninhas” de pensamentos egoístas e fortalecendo a conexão com o Poder Divino por meio da meditação diária. Esse poder, que revigora todo o ser, é mais do que uma força inanimada; é a própria essência da vida.
Ao estabelecer uma disciplina diária de meditação e reflexão, a consciência se purifica gradualmente, permitindo que as ideias criativas floresçam e prosperem. Isso gera um ciclo de bênçãos que transforma a vida pessoal e inspira outros a buscar a mesma harmonia. Com dedicação e constância, é possível alcançar um estado de conexão profunda com a Consciência Universal, trazendo alegria, propósito e amor incondicional para a jornada da alma.
Há um trabalho invisível que ocorre na consciência, frequentemente permanecendo fora de percepção até que, em um momento posterior, você se dê conta de que certas características desapareceram.
Sinceramente, encorajo você a repetir essa meditação várias vezes, utilizando o papel onde anotou suas características. Cada vez que o fizer, estará atraindo uma nova injeção de poder da “Consciência Pai-Mãe-Vida” para apoiar seu propósito de superar e eliminar aspectos indesejados de sua consciência. Quando essas características se dissolverem, elas não mais influenciarão suas circunstâncias de vida com as sombras negativas que antes causavam sofrimento.
Ao percorrer um caminho mais elevado, você se direcionará à liberdade. Durante esse processo, começará a perceber pequenas imperfeições em sua mente e coração que antes pareciam normais. Quando isso acontecer, siga o mesmo procedimento: registre essas percepções e leve-as com fé ao seu “Pai Espiritual”.
Além disso, para completar a reconstrução de sua consciência, é essencial substituir os aspectos negativos, como crítica, intolerância ou agressão, por qualidades positivas e harmoniosas, baseadas no amor incondicional. Escreva essas virtudes em um papel, preferencialmente com letras douradas, simbolizando sua aspiração por uma consciência mais luminosa e divina.
Ao meditar sobre essas virtudes e buscar alinhamento com sua “Realidade Divina”, sua natureza será gradualmente transformada. Quando isso acontecer, sua alma se libertará, como um pintinho rompendo a casca do ovo para encontrar um mundo amplo e pleno.
Este é o caminho para alcançar a união com a Fonte de seu Ser e cumprir seu verdadeiro propósito na Terra. Então, estará preparado para iniciar sua VIDA REAL, entrando no Reino dos Céus.
Eu já estava exausto demais para discutir com meus discípulos, mas não guardei ressentimentos. Sentia-me tão fortalecido e seguro na certeza de que o “Pai” estava comigo a todo momento, que pude perdoar a deslealdade deles. No fundo, sentia que em breve seria liberto do corpo e ascenderia aos reinos de Luz, que tantas vezes percebi, mas nunca contemplei plenamente com os olhos humanos. Esse pensamento me trazia consolo e uma sensação de esperança.
Então, sorri e disse:
“É bom que tenham seguido o que pedi, em memória de mim e da minha partida iminente. Continuem partilhando o pão e o vinho, recordando meu amor por vocês. Sempre estarei presente em espírito até que possam se juntar a mim. Não temam: vocês serão guiados, fortalecidos e inspirados, e eu lhes falarei claramente.”
Acrescentei ainda:
“No futuro, muitos dos meus ensinamentos serão esquecidos ou distorcidos. Contudo, permaneçam fiéis ao que compartilhei e não duvidem das minhas palavras.”
Ao chegar ao Monte das Oliveiras, onde os soldados viriam me buscar, desejei apenas me preparar em silêncio para o que viria, buscando a comunhão com o “Pai”. No jardim, retirei-me para minha rocha favorita, cobri-me com a túnica e, ao fechar os olhos, mergulhei em um estado de profunda serenidade. Logo, senti o Poder Divino preenchendo meu ser, envolvendo-me em amor supremo. Naquele instante, soube que seria sustentado por esse amor, e que poderia manter minha compaixão, independentemente do que acontecesse.
Essa experiência revela o verdadeiro significado de partir o pão e beber o vinho em minha memória, como um símbolo de minha vida e ensinamentos. No entanto, como você sabe, muitas das verdades que compartilhei foram reinterpretadas ao longo do tempo.
Ao falar do “Pai”, do “Filho” e do “Espírito Santo”, os líderes religiosos criaram o conceito de “Três Pessoas em Uma”. Isso resultou em orações segmentadas: pedem benefícios ao “Pai”, instrução ao “Espírito Santo” e salvação ao “Filho”. Essa visão, infelizmente, reflete crenças humanas, moldadas por conveniências terrenas, e não a verdade espiritual.
Tais crenças deram origem a estruturas religiosas que, embora tenham trazido progresso em arte e espiritualidade, também perpetuaram guerras, perseguições e a criação de hierarquias sustentadas pelo ego humano. Ao mesmo tempo, contribuíram para elevar algumas consciências aos reinos mais elevados de pensamento e amor, inspirando belas construções e práticas devocionais.
Sobre o “pecado”, é importante entender que ele surgiu como uma tentativa de descrever comportamentos prejudiciais ao bem-estar da comunidade. Esses atos foram atribuídos a uma força maligna, “Satanás”, e usados como justificativa para controle social.
Moisés, ao buscar maneiras de liderar os israelitas, recebeu inspiração para os Dez Mandamentos. Apesar disso, suas crenças também perpetuaram ideias de um “Deus” punitivo, usado para justificar violência e conquistas territoriais. Essa visão distorcida, centrada no ego, mascarou a verdadeira essência da Consciência Divina.
A noção de “pecado” e “salvação pela cruz” é uma criação humana e não reflete a realidade espiritual. Derramamento de sangue em rituais religiosos é uma prática pagã glorificada pelas igrejas. Na verdade, cada ação gera consequências por meio da criação consciente, e não como punição divina.
Por isso, é urgente abandonar essas crenças limitantes e buscar a compreensão espiritual, que se baseia no amor e na verdade. Essas Cartas oferecem a base para essa transformação.
