Associação

Sul-Americana

de Terapeutas

Cartas de Cristo
Carta 2

Eu sou o Cristo

Enquanto opero nas mais elevadas esferas da Consciência Divina Criativa, minha presença alcança e envolve o seu mundo. Usando uma analogia: minha consciência está tão distante da sua realidade quanto o Sol está da Terra. Contudo, ao me chamar com sinceridade, estarei tão próximo quanto for necessário para ajudá-lo. Muitas pessoas podem não estar prontas para receber essas mensagens. Algumas podem até tentar negá-las, temendo que seu conteúdo ameace crenças ou modos de vida. No entanto, tais resistências apenas reforçarão sua relevância. Há aqueles que as acolherão com alegria, pois suas almas reconhecem que além das religiões está a verdade universal. Esses indivíduos prosperarão, contribuindo para a transformação do mundo e sua salvação da autodestruição.

Continuarei agora minha história, compartilhando aspectos da minha vida pública como mestre e curador. Quero que compreenda o contexto cultural e espiritual da Palestina de minha época, assim como os desafios que enfrentei ao trazer ensinamentos que confrontavam as crenças tradicionais.

Nos evangelhos, muito se menciona sobre minhas parábolas sobre o Reino de Deus, mas raramente há uma exploração profunda de seu significado espiritual. É essencial que, à luz das revelações que tive no deserto, essas mensagens sejam revisadas e compreendidas de maneira mais ampla. Agora, no início de uma nova era, sinto que é imperativo oferecer outra oportunidade para que a humanidade avance em percepção e compreensão espiritual.

Embora não possa me encarnar novamente, encontrei um canal sensível capaz de transcrever minhas mensagens. Espero que isso permita uma conexão genuína com você. O que for incorreto será ajustado, pois a verdade sempre prevalece.

Os relatos sobre curas e acontecimentos do passado têm valor apenas como ilustrações de princípios espirituais. Quero que você veja a pessoa de Jesus como um exemplo do potencial humano para alcançar a iluminação espiritual. As pessoas daquela época, embora vivendo em outra realidade histórica, eram movidas pelos mesmos impulsos e desafios que você enfrenta hoje: desejos, medos, rejeições e ambições.

Quando saí do deserto, estava radiante com o conhecimento revelado a mim. Caminhei até minha vila, enfrentando olhares de reprovação e zombarias, mas também gestos de compaixão. Chegando à casa de minha mãe, fui recebido com choque, mas também com amor incondicional. Ela me acolheu, cuidou de mim, e eu saboreei o calor daquele momento familiar.

Embora quisesse compartilhar imediatamente minhas revelações, compreendi que era necessário paciência. Minha missão era maior do que minha própria alegria em ter encontrado a verdade. Era preciso preparar o terreno para que as sementes do entendimento germinarem no coração da humanidade.

Essas mensagens têm como objetivo ajudá-lo a reconhecer que você também pode se tornar um cocriador da realidade divina na Terra. O Reino dos Céus não é um lugar distante, mas uma consciência que está ao seu alcance, se você estiver disposto a trilhar o caminho da verdade e da iluminação.

Quando senti que estava pronto para ensinar e curar, decidi, para agradar minha mãe, visitar a sinagoga de Nazaré em um sábado e falar à congregação. Seguindo o costume, levantei-me, e me entregaram o livro de Isaías para ler. Escolhi uma passagem que profetizava a vinda do Messias, que traria libertação ao povo judeu de toda forma de opressão:

“O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque Ele me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres.
Enviou-me para proclamar liberdade aos presos
e restauração da vista aos cegos,
para libertar os oprimidos
e proclamar o ano da graça do Senhor.”

Após a leitura, sentei-me e afirmei:
— Hoje, essa profecia se cumpre diante de vocês.

Os rostos dos homens refletiam choque e incredulidade, mas continuei a falar, confiando que o “Pai” guiaria minhas palavras. Compartilhei minha experiência no deserto e a visão de como as pessoas, desde a infância, se envolvem em correntes e amarras mentais, cegando-se para a luz de Deus e expondo-se a doenças, opressões e dificuldades. Expliquei que Deus é LUZ, e essa luz é a essência do amor, fonte de toda criação. Disse que aqueles que amam a Deus com todo o coração e seguem Suas leis vivem na abundância e saúde.

Ao concluir, a sinagoga mergulhou em silêncio. A congregação parecia ter sido transportada para um estado elevado de reflexão. Desejei que aquele momento de paz permanecesse, mas logo os murmúrios começaram. Alguns discutiam quem eu era, reconhecendo-me como Jesus, filho de uma família conhecida na vila; outros, incapazes de aceitar o que ouviram, questionaram minha autoridade.

Sentindo ressurgir antigas mágoas por não ter sido aceito no passado, minha postura tornou-se desafiadora. Isso enfureceu os líderes, que incitaram os jovens a me arrastar até o topo de um penhasco para me lançar ao abismo. Em desespero, clamei ao “Pai” por auxílio. De repente, uma confusão tomou conta deles, e, em meio ao tumulto, consegui sair sem ser notado.

Muito abalado, mandei uma mensagem à minha mãe informando que estava deixando Nazaré e indo para Cafarnaum, uma cidade à beira do mar da Galileia. Lá, pedi orientação ao “Pai” para encontrar onde ficar, já que não tinha dinheiro nem pretendia mendigar. Enquanto caminhava, encontrei uma mulher carregando cestos pesados, com o semblante triste. Ao abordá-la, perguntei sobre alojamento, e ela explicou que normalmente me ajudaria, mas seu único filho estava gravemente doente. Ofereci-me para carregar seus cestos até sua casa e, pelo caminho, mencionei que talvez pudesse ajudar o garoto.

Ao chegar, a mulher, chamada Miriam, apresentou-me ao marido. Ele, profundamente aflito, culpava Deus pela situação. Levaram-me ao quarto onde o menino jazia pálido e febril, cercado por pessoas tristes que acreditavam que ele estava à beira da morte. Pedi que todos saíssem do quarto, e, após alguma resistência, fiquei a sós com o rapaz. Coloquei minhas mãos sobre sua cabeça, orando com fé e gratidão. Senti o fluxo do “Pai Vida” preenchendo o corpo debilitado do menino. Gradualmente, a cor voltou a seu rosto, e ele abriu os olhos, dizendo:
— Estou melhor. Estou com fome!

A mãe, radiante, hesitou em lhe dar comida, temendo a recomendação do médico, mas garantiu que ele estava curado. Diante da recuperação milagrosa, o pai, Zedequias, emocionado, expressou sua gratidão. Logo, a notícia se espalhou, e todos que estavam ali celebraram. Não precisei mais procurar alojamento, pois fui convidado a ficar com a família. Durante a refeição, Zedequias perguntou-me sobre a origem da cura, e expliquei que Deus não pune nem tira a vida como um homem faria por vingança. Falei do “Pai” como a fonte do Amor Perfeito, presente em todas as coisas, sustentando a vida e a saúde, tal como um pai cuida dos seus filhos.

A narrativa continuou entre perguntas e explicações, e percebi que estava semeando uma nova compreensão sobre a verdadeira natureza de Deus.

Deus realiza todas essas coisas de forma distante? Será que esses pensamentos surgem em cada homem e mulher para determinar o momento em que devem acontecer? Não, todo esse processo ocorre por meio do “Poder Criativo da Mente”, a “Vida Inteligente e Amorosa” presente em todos os seres vivos. Podemos observar o amor que os pais têm por seus filhos, seja entre pássaros, animais ou humanos. De onde vem esse amor? Ele emana do “Poder Criativo da Mente” — o Amor Perfeito — que é o “Pai” em nós. É graças à obra desse “Pai” nas plantas, árvores, animais, pássaros e na própria humanidade que estamos aqui hoje: vivos, respirando, comendo, dormindo, gerando filhos, envelhecendo e, finalmente, passando para um lugar mais pleno após a morte. Tudo isso é fruto da presença ativa do “Pai” dentro de nós. Como negar a verdade de tudo isso?

Hoje, viram um jovem à beira da morte sendo restaurado à plenitude da vida em pouco tempo. Fui eu quem o curou? Não! Eu, por mim mesmo, nada posso fazer. Foi a VIDA, o “Pai” ativo em todas as coisas, que agiu poderosamente para reparar um corpo enfermo e devolvê-lo à saúde, porque acreditei firmemente que isso aconteceria, sem qualquer dúvida.

A sala foi tomada por suspiros de alívio. Uma nova luz parecia brilhar nos rostos ali presentes, acompanhada por um doce entusiasmo.

— Mas por que o ser humano sofre tanto? — perguntou Miriam.

— Quando um homem é concebido, e a VIDA toma forma na semente, ela se reveste da condição humana que o torna único, separado de qualquer outro indivíduo. Para que seja uma figura singular, isolada, ele se torna sujeito a dois impulsos muito fortes: o de se apegar às coisas que deseja e o de rejeitar aquilo que não quer. Esses impulsos guiam todas as ações do homem ao longo da vida e são os responsáveis pelos problemas que ele atrai para si. Embora o “Pai” esteja ativo dentro de cada pessoa, ELE não é humano.

O “Pai” não retém, não rejeita, não condena e nem mesmo enxerga o que chamamos de “pecado”. Tudo o que o homem faz e chama de erro pertence apenas a este mundo e, portanto, as consequências ocorrem aqui. É a “Lei da Existência Terrena”: aquilo que se planta, mais cedo ou mais tarde, será colhido. Como o homem extrai sua VIDA e MENTE do “Pai”, ele próprio cria seus pensamentos, palavras e ações. O que quer que ele pense, diga ou faça retorna para ele em algum momento. Não há punição vinda do “Pai” — todo sofrimento humano é fruto de suas próprias escolhas.

As pessoas murmuravam, surpresas com esses novos ensinamentos, que pareciam fazer mais sentido do que tudo o que haviam aprendido antes. Muitas vozes me encorajavam a compartilhar mais.

Continuei a expressar minhas antigas dúvidas e frustrações até perceber a mudança nas expressões deles, que passaram da simples aceitação para uma concordância plena. Foi então que entendi que, ao verbalizar aquelas questões, eu havia dado voz às dúvidas e perguntas que eles mesmos nunca tiveram coragem de admitir. Enquanto conversávamos, senti o alívio que experimentaram ao perceber que não estavam sozinhos em suas resistências internas aos ensinamentos dos Rabinos.

— Eu digo a vocês: viram em mim a VIDA em ação por meio da cura. Sigam-me, e eu lhes mostrarei o CAMINHO para a verdadeira felicidade. Em minhas palavras, encontrarão a VERDADE da existência, algo nunca revelado antes por outro homem. Dizem que o Messias trará à luz os segredos ocultos desde o princípio da criação. Em verdade, digo a vocês: ouvirão esses segredos de mim. Se escutarem atentamente, compreenderem o significado, praticarem a verdade e seguirem suas leis, serão transformados em novos seres e alcançarão o Reino dos Céus.

Compartilhei que chegou um momento na minha vida em que percebi estar desperdiçando meu tempo e desejei profundamente mudar. Decidi procurar João Batista, vendo nele um ponto de partida para uma nova jornada. Relatei como foi meu batismo e as seis semanas passadas no deserto, onde vive uma profunda transformação. Durante esse período, meus pensamentos, crenças, atitudes, arrogância e rebeldia foram pouco a pouco purificados. Tive revelações e visões que me conectaram à “Realidade”, que agora reconheço como o “Pai”. Expliquei a natureza do “Pai” como algo intrinsecamente vinculado à Vontade Divina e que era o próprio ser humano, com seus pensamentos e comportamentos equivocados, que se afastava dessa essência. Somente por meio do arrependimento e da limpeza de sua mente e emoções, alguém poderia se reconectar com o “Pai”. Nesse estado, a plenitude do “Pai” se manifesta na mente, coração, corpo, alma e em todas as experiências da pessoa, permitindo que ela acessasse o Reino dos Céus.

Enquanto explicava isso, notei que a dúvida desaparecia dos rostos de meus discípulos, dando lugar à compreensão e à alegria. Entusiasmados, exclamaram: “Estas, sim, são boas-novas!” Contudo, mesmo aceitando minhas palavras, às vezes questionavam se o que eu dizia era realmente verdade. Entendi suas hesitações; abandonar a visão tradicional de “Jeová”, tão profundamente enraizada, demandava coragem. Questionavam entre si se eu seria mesmo um mensageiro da verdade ou, quem sabe, de Satanás. Temiam as possíveis consequências: perder o respeito social, suas rendas, e até enfrentar a rejeição de suas famílias.

Eu, por outro lado, não promete riquezas nem status terrestre, mas garante que o “Pai” conhecia suas necessidades e as supriria. Prometi também que, ao confiar no “Pai” e se colocar a serviço dos outros, eles encontrariam uma felicidade jamais experimentada. A caminhada traria desafios, mas também testemunharam curas que fortaleceriam sua fé e coragem. Assim, começamos a espalhar a mensagem da “Boa-Nova do Reino”.

Enviei meus discípulos para anunciar minha chegada nas cidades, convidando as pessoas a se reunirem para ouvir sobre o Reino dos Céus. A expectativa crescia, e multidões se formavam, animadas com a promessa de cura e transformação. Eu, que antes questionava as doutrinas ameaçadoras dos religiosos, agora caminhava com alegria, levando esperança e alívio às pessoas. Antes egoísta, agora carregava um propósito maior, ofertando conhecimento e cura.

Quero que você compreenda a mudança que vivi. Após minha iluminação no deserto, tornei-me plenamente consciente de minha missão. Estava certo de que possuía o conhecimento supremo sobre a existência e sabia que tudo o que os homens acreditavam sobre Deus era, em essência, equivocado. Senti-me moldado pelo “Pai” para levar essa verdade às pessoas, comunicando-me com elas por meio de parábolas e curas. Minha compaixão era grande, pois compreendia profundamente as dores, ansiedades e esperanças das pessoas, e sabia que elas viviam aprisionadas por leis e crenças errôneas.

Com essa consciência, eu me sentia um instrumento purificado da Ação Divina. Sabia que enfrentaria resistência e sofrimento, mas estava disposto a seguir adiante, impulsionado pelo AMOR do “Pai”, que é, acima de tudo, um amor doador, sustentador e transformador.

Eu compreendia que minha missão era um presente divino, uma manifestação do Amor do “Pai” para a humanidade — não uma salvação de castigos impostos por um Deus irado, como muitos ensinaram ao longo dos séculos. Minha missão era libertar as pessoas da repetição incessante de pensamentos errôneos que geram sofrimento, pobreza e doenças.

Por amar profundamente a humanidade, dediquei minha vida a ensinar e curar, enfrentando a resistência dos Sacerdotes Judeus. Estava disposto a sacrificar minha própria vida para compartilhar as verdades que me foram reveladas no deserto. Essa verdade não estava ligada a sacrifícios ou rituais, mas a um chamado para a compreensão das Leis Universais e do verdadeiro propósito da existência.

Meu objetivo era iluminar as pessoas sobre a necessidade de mudar seus pensamentos e crenças, ajudando-as a se reconectar com o “Pai” interior. Eu sabia que o Amor Divino sempre atua como um processo de cura e aperfeiçoamento, suprindo as necessidades e promovendo crescimento, mesmo que as dificuldades fossem interpretadas como castigos.

A verdadeira mensagem que deseje transmitir foi frequentemente distorcida ao longo dos séculos. Contudo, meu propósito era claro: despertar as pessoas para o poder transformador do Amor, demonstrando que suas crenças moldam suas realidades. Queria que compreendessem que a plenitude, a alegria e a abundância eram possíveis ao alinhar seus pensamentos com a Vontade Divina.

Para isso, buscava constantemente me restabelecer na conexão com o “Pai”, em meditação e oração, renovando minha força e clareza espiritual. Era essa energia divina que me impulsionava a enfrentar multidões e transmitir o que me havia sido revelado: o poder de transcender limitações auto impostas e viver em harmonia com a Fonte de toda criação.

Minha mensagem era clara: o sofrimento humano decorre de crenças limitantes e da desconexão com o Amor Divino. Quando as pessoas mudassem suas crenças, sua realidade mudaria. Queria que vissem que a vida foi criada para ser abundante, saudável e feliz. Esse foi o chamado que abracei, disposto a entregar minha vida para iluminar as mentes e os corações de todos.

A enfermidade pode ser entendida como uma queda na vitalidade, uma diminuição da energia vital em determinada parte do corpo. Ao restaurar a força da “Vida Divina” com a intenção e o alinhamento corretos, o corpo inteiro retoma sua harmonia natural.

Muitas vezes, é ensinado que Deus envia doenças, calamidades e dificuldades como punição por desobediência. No entanto, o verdadeiro Deus não é fonte de castigo ou maldade. Deus, ou o “Pai Interior”, é pura bondade e está sempre disposto a proporcionar abundância e saúde, desde que acreditemos e nos conectamos com Ele. O sofrimento surge, na verdade, das crenças erradas em punição e escassez, alimentadas por pensamentos e sentimentos desalinhados.

Vivemos no “Reino dos Céus” que reside dentro de nós, mas a crença em pecado, sacrifício e condenação nos afasta dessa verdade. A pobreza e a miséria, muitas vezes, resultam de nossas próprias limitações mentais e emocionais, que bloqueiam a ação do “Pai” em nossas vidas. Quando acreditamos no “Pai”, confiamos em sua força e vivemos em harmonia com ela, recebemos abundância e felicidade.

Mesmo aqueles que têm pouco ou estão em dificuldades podem encontrar uma riqueza interior imensa ao confiar no “Pai”. Quando nos ocupamos apenas das satisfações terrenas, ignoramos a fonte divina que opera em nós. Tanto os ricos quanto os pobres enfrentam desafios, pois a verdadeira plenitude não vem das posses materiais, mas da conexão com a “Fonte da Vida”.

Os líderes religiosos, muitas vezes, pregam palavras que não vivem ou entendem plenamente. Eles se apoiam em tradições e interpretações passadas, desconectados da inspiração viva do “Pai”. Da mesma forma, a riqueza material não garante a saúde ou a felicidade, pois ambas dependem de uma conexão com a energia divina dentro de nós.

A verdadeira abundância, saúde e realização vêm quando nos alinhamos ao “Pai” e reconhecemos sua presença ativa em nossas vidas. Ele sempre proverá aquilo que precisamos, assim como um pai amoroso cuida de seus filhos. Se enfrentamos dificuldades, isso reflete nossa desconexão com essa força divina e nossa falta de confiança em seu poder criativo.

Ao invés de lamentarmos, podemos nos voltar ao “Pai” com fé e gratidão. Ele conhece nossas necessidades e as atende quando acreditamos e pedimos de coração. Não precisamos de sacrifícios ou rituais; precisamos de conexão sincera, fé e ação inspirada.

Bem-aventurados os que buscam essa conexão com o “Pai” dentro de si mesmos. Eles experimentarão alegria, paz e abundância em todas as áreas da vida. O Reino de Deus não está fora, mas dentro de cada um de nós, manifestando-se na beleza da natureza, no ciclo da vida e na ordem perfeita que sustenta o universo. Quando percebemos essa verdade, vivemos em harmonia com o “Pai”, e nossas vidas tornam-se expressão plena do amor divino.

Como vocês acham que esse homem de túnica vermelha, aqui na frente, construiu o seu futuro?

Houve um momento de silêncio entre a multidão, até que um jovem chamado Marcos gritou:
— Eu sei! Ele acreditou que precisava lutar para conseguir comida e roupas. Você nos ensina que aquilo em que pensamos e falamos se manifesta em nossas vidas.

— Isso mesmo — respondi. — Você é muito perspicaz e entendeu bem a lição. Lembrem-se de não criar, com seus pensamentos e palavras, aquilo que vocês não desejam. E ficarei feliz em tê-lo como discípulo no futuro, se seus pais concordarem.

Alguns riram, mas outros permaneceram sérios, duvidando das minhas palavras.

— Vocês jamais entrarão no Reino dos Céus se viverem angustiados. Se o dia de hoje foi difícil, de que adianta lamentar? Reclamar torna o dia mais leve? Suas lágrimas mudarão a realidade? E preocupar-se com o amanhã apenas o sobrecarregará antes mesmo que ele chegue. Para que se torturar dessa forma? A ansiedade já trouxe alguma solução para vocês? É como tentar crescer em altura apenas por se angustiar com a baixa estatura!

Não concentrem seus pensamentos no que lhes falta. Direcionem sua atenção para o que pode ser alcançado ao se conectarem com o “Pai” que habita em vocês. Peçam com fé verdadeira, acreditando que irão receber — e eu lhes asseguro que receberão. Mas é preciso pedir confiança, sem dúvidas ou questionamentos. O “Pai” não dá como os humanos, que medem e calculam suas doações. O “Pai” concede abundantemente, suprindo as necessidades de quem pede com coração puro.

Se suas preces não são atendidas, não pensem, nem por um momento, que o “Pai” não existe ou não ouve. Ao invés disso, reflitam sobre o que dentro de vocês pode estar bloqueando a manifestação do amor e da providência divina. Se há desavenças em seu coração, busque resolvê-las antes de se dirigir ao altar em oração. Apenas com a mente e o coração purificados poderão ser ouvidos pelo “Pai” e receber Suas dádivas em paz.

Olhem para as flores nos campos — quanta beleza elas possuem! Mesmo Salomão, com toda a sua riqueza, não se vestiu com tamanha graça. Observem como a natureza é cuidada com perfeição, desde o desenho das pétalas até o papel das abelhas na polinização. Por que não acreditar que o mesmo “Pai” que sustenta a criação cuida também de vocês?

Lembrem-se: as plantas não se queixam de sua sorte, nem rejeitam os cuidados do Criador. Já os humanos, com suas reclamações constantes, raiva e críticas, bloqueiam a abundância e criam, dia após dia, suas próprias dificuldades e enfermidades.

Estou lhes dizendo tudo isso para que entendam a importância da fé para a cura. A doença no corpo é reflexo da desarmonia da mente, que muitas vezes está repleta de mágoas, rancores e ódio. O “Pai Amor” é a fonte de toda saúde, e pensamentos que se afastam desse amor geram doenças. Assim, todo o mal que enfrentam começa na mente, assim como o bem que podem conquistar.

Amem ao próximo como a si mesmos. Abençoem aqueles com quem têm conflitos, ajudem-nos sempre que puderem, mesmo que eles os tratem mal. Ao fazer isso, estarão plantando boas sementes em suas mentes e alinhando-se ao “Pai” que é puro Amor. Nessa sintonia, o “Pai” poderá realizar Sua obra amorosa em vocês.

Ao terminar de falar, trouxeram-me os enfermos, e, conforme a fé de cada um, eles foram curados.

A CARTA 3 aprofunda os ensinamentos de Cristo e traz uma explicação detalhada dos acontecimentos que culminaram em sua crucificação e morte. De forma tocante, relata sua última Ceia com os discípulos, momento em que se sentiu espiritualmente só, já que eles se recusavam a aceitar, até o último instante, que ele seria crucificado. Muitas vezes suas palavras foram mal compreendidas, e ele percebeu, mais uma vez, que havia alcançado pouco sucesso em transmitir seus ensinamentos durante os três anos de sua missão. Sentia-se aliviado por estar prestes a partir.

Rolar para cima